Ediana, Brazilian, 19
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I am
What I want you to want
What I want you to feel
But it’s like no matter what I do
I can’t convince you
To just believe this is real
So I let go, watching you
Turn your back like you always do
Face away and pretend that I’m not
But I’ll be here
'Cause you're all that I've got

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   Uma sensação esquisita – e equivocada – de destacamento: eu não sou o meu corpo.
   Não sou os cachos do meu cabelo,  minhas olheiras e orelhas assimétricas. Não estou nos cheiros do meu corpo, ou no anasalado metálico da minha voz.
   A predileção do meu paladar por temperos fortes, meus fluidos, meus pelos, enxaquecas, cólicas e orgasmos são meros efeitos colaterais. As primeiras rugas no canto dos olhos (olhos que já precisam de óculos para enxergarem com nitidez) são meros sinais de desgaste.
   Os cabelos e as unhas que não param de crescer não me dizem respeito, assim como o joelho frágil, a sensibilidade na região do pescoço e as veias aparentes sobre a pele branca. Esse reflexo no espelho não é o meu.
   Sou tão somente a voz que se esconde dentro de uma máquina bioquímica que precisarei pilotar (com alguma sorte) pelas próximas décadas.

   E, no entanto, de vez em quando eu danço, e relembro. Quando músculos que sequer lembrava que tinha são distendidos e o suor escorre pela linha da coluna. Quando o ritmo sobe pelos pés e pernas, crava as unhas no quadril para tomar impulso e instalar-se na nuca. Quando a voz que insiste em comandar é calada pela a vontade de se fundir com a carne até então estrangeira, e torná-la meu terrítório – verdadeiramente habitá-la.
   Não sou bela quando danço, pois não há beleza nos meus gestos desajeitados e na falta de prática de estar no mundo. Mas estou ali, e estou inteira, como quase nunca consigo ser.

                                                            Gabriela Ventura


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   O mundo ficou diferente. O mundo já não era ali. Estava em outro lugar. É preciso entender que cada um verá coisas que ninguém mais poderá ver. E que nelas residem as suas razões. Cada um verá as suas miragens.

                                                       Nove Noites, Bernardo Carvalho


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Os ombros suportam o mundo

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossege
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

                                           Carlos Drummond de Andrade


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     Puta, piranha, vadia, vagabunda, quenga, rameira, devassa, rapariga, biscate, piriguete. Quando um homem odeia uma mulher — e quando uma mulher odeia uma mulher também— a culpa é sempre da devassidão sexual. Outro dia um amigo, revoltado com o aumento do IOF, proferiu: “Brother, essa Dilma é uma piranha”. Não sou fã da Dilma. Mas fiquei mal. Brother: a Dilma não é uma piranha. A Dilma tem muitos defeitos. Mas certamente nenhum deles diz respeito à sua intensa vida sexual. Não que eu saiba. E mesmo que ela fosse uma piranha. Isso é defeito? O fato dela ter dado pra meio Planalto faria dela uma pessoa pior? 
     Recentemente anunciaram que uma mulher seria presidenta de uma estatal. Todos os comentários da notícia versavam sobre sua aparência: “Essa eu comeria fácil” ou “Até que não é tão baranga assim”. O primeiro comentário sobre uma mulher é sempre esse: feia. Bonita. Gorda. Gostosa. Comeria. Não comeria. Só que ela não perguntou, em momento nenhum, se alguém queria comê-la. Não era isso que estava em julgamento (ou melhor: não deveria ser). Tinham que ensinar na escola: 1. Nem toda mulher está oferecendo o corpo. 2. As que estão não são pessoas piores. 
     Baranga, tilanga, canhão, dragão, tribufu, jaburu, mocreia. Nenhum dos xingamentos estéticos tem equivalente masculino. Nunca vi ninguém dizendo que o Lula é feio: “O Lula foi um bom presidente, mas no segundo mandato embarangou.” Percebam que ele é gordinho, tem nariz adunco e orelhas de abano. Se fosse mulher, tava frito. Mas é homem. Não nasceu pra ser atraente. Nasceu pra mandar. Ele é xingado. Mas de outras coisas. 
     Filho da puta, filho de rapariga, corno, chifrudo. Até quando a gente quer bater no homem, é na mulher que a gente bate. A maior ofensa que se pode fazer a um homem não é um ataque a ele, mas à mãe — filho da puta- ou à esposa — corno. Nos dois casos, ele sai ileso: calhou de ser filho ou de casar com uma mulher da vida. Hijo de puta, son of a bitch, fils de pute, hurensohn. O xingamento mais universal do mundo é o que diz: sua mãe vende o corpo. 1. Não vende. 2. E se vendesse? E a sua, que vende esquemas de pirâmide? Isso não é pior?
     Pobres putas. Pobres filhos da puta. Eles não têm nada a ver com isso. Deixem as putas e suas famílias em paz. Deixem as barangas e os viados em paz. Vamos lembrar (ou pelo menos tentar lembrar) de bater na pessoa em questão: crápula, escroto, mau-caráter, babaca, ladrão, pilantra, machista, corrupto, fascista. A mulher nem sempre tem culpa. 

                                                                    Gregorio Duvivier


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I’m sending you away tonight
I’ll put you on a bird’s strong wing
I’m saving you the only way that I know how
I hope again one day to hear you sing
I hope again one day to see you bring your smile back around again

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